Instituto Pensar - CPI da Pandemia: governo recusou cinco ofertas de vacinas da Pfizer

CPI da Pandemia: governo recusou cinco ofertas de vacinas da Pfizer

por: Júlia Schiaffarino


À mesa, gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, afirmou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia nesta quarta-feira (13) que o governo brasileiro ignorou cinco ofertas de contrato para compra de imunizantes contra a Covid-19 ao longo de 2020.

Desde a sessão de quarta-feira, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), colocou em lugar da placa de identificação com seu nome na mesa da comissão, o número de mortos pela Covid-19 no Brasil.

Caso tivesse fechado contrato até agosto, o país teria recebido cerca de 4,5 milhões de doses a mais de vacinas da Pfizer. Deste total, 1,5 milhão poderiam ter sido entregues em dezembro, o que permitiria ao Brasil iniciar a campanha de imunização ainda no ano passado.

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As tentativas de negociação da Pfizer com o governo brasileiro tiveram início em maio do ano passado. Somente março deste ano o governo fechou acordo com a farmacêutica.  

Carta foi apenas uma das tentativas de negociação da Pfizer

Após mais de uma tentativa de negociação de vacinas com o Brasil sem sucesso, dirigentes da Pfizer no Brasil enviaram uma carta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o vice Hamilton Mourão e a mais três ministros, incluindo o então chefe da Saúde, Eduardo Pazzuelo.

No texto, a farmacêutica dizia que não ter recebido resposta do Ministério da Saúde. "Apresentamos uma proposta ao Ministério da Saúde do Brasil para fornecer nossa potencial vacina que poderia proteger milhões de brasileiros, mas até o momento não recebemos respostas.?

Essa carta também foi ignorada por meses. No depoimento que forneceu à CPI, um dia antes o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten mencionou a correspondência e disse que soube dela através do dono da Rede TV, Marcelo de Carvalho.

Ofertas negadas

De acordo com Carlos Murillo, no ano passado a Pfizer fez ofertas para venda de vacinas ao Brasil em 14 de agosto, em 18 de agosto e em 26 de agosto.

Na primeira, a farmacêutica deu a opção de 30 milhões de doses ou 70 milhões de doses, ambas com a entrega de 500 mil doses ainda em 2020. Na segunda e na terceira ofertas, as opções de quantitativo eram as mesmas, mas havia a possibilidade expressa de 1,5 milhão serem entregues já em 2020. Nesse caso, o valor contratual seria de U$ 10 por dose, valor igual ao de todos os países de renda média.

Este ano a empresa procurou o Brasil em fevereiro e em março, mas só obteve resposta no dia 19 de março. O contrato assinado prevê 14 milhões no primeiro trimestre de 2021 e 86 milhões no terceiro trimestre.

Reunião com Carlos Bolsonaro

Em uma das tratativas entre a farmacêutica e o governo, o então presidente da Pfizer no Brasil e hoje gerente geral da empresa na América Latina, relatou que a reunião contou com a presença do vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A reunião em questão ocorreu em novembro do ano passado e, além de evidenciar a intromissão familiar em questões de Estado, essa declaração traz à público mais uma contradição do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten.

Em depoimento à CPI, Wajngarten mencionou o encontro com dirigentes da farmacêutica, mas questionado sobre a presença do filho do presidente, negou que ele tivesse comparecido. Wajngarten também disse que não tinha proximidade como Carlos Bolsonaro.

Contestação de governistas na CPI

Na tentativa de contrapor o depoente, os senadores governistas Marcos Rogério (DEM-RO) e Ciro Nogueira (PP-PI) contestaram que a Pfizer pudesse entregar as vacinas ainda em dezembro. Eles mencionaram que apenas em 11 de dezembro essas vacinas foram autorizadas pela agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (FDA). A vacinação naquele país, entretanto, iniciou em 14 de dezembro.

Os governistas também contestaram cláusulas impostas pela empresa. Questionado, o CEO da farmacêutica afirmou que dos 110 países a quem a Pfizer vendeu vacinas nenhum contestou as clausulas impostas pela empresa.

Com informações da Folha de S. Paulo e da Agência Câmara



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